5 de fev de 2008

Tranquilidade e segurança não têm preço


A primeira atividade da minha agenda, logo na chegada, foi conhecer o Maeslant Kering (foto), em Hoek van Holland, próxima a Rotterdam. Um dique móvel que os holandeses consideram sua maior obra de engenharia contemporânea. É único no mundo.

São duas estruturas imensas, dois braços de 350 metros de comprimento ao todo, dispostos frontalmente, nas margens do rio Reno. A função é criar uma barreira artificial para conter o avanço das águas do mar do Norte, caso subam a mais de três metros de sua normalidade.

Isto seria suficiente para inundar mais da metade do território do país, já que 33% estão a menos de um metro do nível do mar. Há regiões, inclusive, abaixo dele. Por isto, a briga constante dos holandeses com a água e o monitoramento permanente do mar do Norte.

Foram investidos 10 anos de estudos para a concepção do Maeslant Kering e outros seis anos para sua construção, num investimento de 550 milhões de euros. Desde sua conclusão, em 1996, nunca houve necessidade de usá-lo, embora simulações sejam feitas uma vez por ano (isto, até eu chegar à Holanda. Explico mais adiante). Os holandeses não se cansam de lembrar da devastadora inundação de 1953, quando um terço do país foi destruído.

Situação semelhante pode-se encontrar na Capital gaúcha. Foi também uma inundação, em 1941, que motivou a prefeitura a construir o controverso muro da Mauá, junto ao cais do porto da Capital, no início dos anos 70. Como na Holanda, a enchente não mais se repetiu, desde então.

Mas, em Porto Alegre, se a natureza surpreender, não se sabe se o muro resistirá, tantas rachaduras apresenta. Tampouco se o portão central, permanentemente aberto, fechará.

Do Maeslant, segui para Haia. Fomos jantar no Pier Scheveningen, no litoral. Uma espécie de Puerto Madero de Buenos Aires, mas várias vezes maior. Além das dezenas de restaurantes e lojas de souvenirs, junto ao cais, há outros tantos em uma estrutura que avança uns 100 metros mar adentro, contando uma casa de shows e área de recreação para crianças.

No Pier, também estão o Holland Casino, o Steigenberger Kurhaus, hotel mais sofisticado do país, cuja fachada lembra um palácio, e o Shopping Center Promenade, onde o fumo é permitido. Aliás, pode-se fumar também em restaurantes, repartições comerciais e diversos locais públicos.

Os governos estadual e municipal gaúchos sonham há vários anos fazer algo parecido com o Pier em Porto Alegre. Tem até um Plano Diretor, idealizado em 1994 que, percebo agora, teve forte inspiração no Scheveningen, sobretudo pela estrutura avançando sobre a água. Entram e saem administrações, mas o projeto não sai do papel.