5 de fev de 2008

Tamanho não é documento


Apenas num país como a Holanda seria possível ver-se uma cena como esta, da foto: uma enorme chata zarpando de uma fábrica de chatas, transportando onze chatas menores, recém-produzidas. Para os holandeses, não há limites para as possibilidades de se transpor obstáculos.

É um país pequeníssimo, mas acostumado a ser o maior da Europa ou do mundo em quase tudo o que movimenta sua economia. Como se fosse uma autocompensação, por ser tão pequeno. Um complexo de inferioridade, não lhe fizesse tão bem tamanho desejo de ser superior.

Cabem quatro Holandas dentro do Rio Grande do Sul. A extensão territorial equivale ao estado de Sergipe, que a coloca em 134º lugar em tamanho, dentre o total de 209 países. Em população, é o 54º (16,3 milhões de habitantes). Em renda per capta, 18º (US$ 80.677,00). Em exportações, é o 6º.


Tem 130 mil quilômetros de rodovias, que transportam 100 mil toneladas de cargas por ano. Pelos 3,5 mil km de ferrovias são escoadas 1 milhão de toneladas/ano. E nos 5 mil km de rios e canais, 400 milhões de toneladas/ano. A intermodalidade de cargas e passageiros, por aqui, é prática usual.


Mal comparando, o RS tem a segunda maior bacia hidrográfica navegável do Brasil (só perde para a amazônica), com mil quilômetros, que, no entanto, opera apenas 3,6% de toda a carga movimentada. As rodovias concentram a quase totalidade, com 85% do bolo.

Sucessivos governos gaúchos têm sido constantemente incitados a iniciar o processo de redistribuição dessas cargas para ampliar a participação do transporte hidroviário para 15% e reduzir o rodoviário para 58%, aproximando-o do volume nacional, de 60%. Tais metas nunca saem do papel.

Com isto, custos diversos se reduziriam, como em manutenção das rodovias, de produção e de transporte. Em países onde os três modais são plenamente desenvolvidos, paga-se US$ 0,48 cada cem toneladas por quilômetro rodado nas rodovias. Por ferrovia, US$ 0,38. Por hidrovia, US$ 0,20.
No Brasil, o mesmo comparativo se distribui dessa forma: por rodovia, US$ 3,20; por ferrovia, US$ 0,80; por hidrovia, US$ 0,20.