4 de fev de 2008

Quando chove, o temor é iminente


A pior tempestade enfrentada pelos holandeses em mais de 50 anos aconteceu na minha frente. Ou melhor, sobre mim! Fechou todos os portos e diques do país. Os navios ficaram impedidos de entrar ou sair, as operações de transbordo de cargas, suspensas.

No terminal de contêineres de Rotterdam, foram registrados acidentes. A situação permaneceu assim até o início da noite, quando o mar do Norte retrocedeu dos 3,6 metros que alcançou.

Ao mesmo tempo em que os holandeses já começam a contabilizar os enormes prejuízos com a paralisação de sua principal atividade econômica, que terá reflexos em todos os países com os quais a Holanda mantém relações comerciais, há uma indisfarçável euforia.

Toda a Europa e, talvez, o mundo, viram, na prática, o funcionamento do Maeslant Kering pela primeira vez. Construído há dez anos, o dique somente seria acionado quando o nível do mar alcançasse três metros, o que seria suficiente para devastar um terço do território holandês. Neste caso, os prejuízos seriam incontáveis vezes maiores que os 550 milhões de euros investidos na obra.

Ou seja, somente com esta primeira utilização, o Maeslant já se pagou.

(Foto retirada do Google Earth)