5 de fev de 2008

O ócio, recompensado, cria um conflito social


As leis trabalhistas são altamente favoráveis aos empregados. Diversas empresas em dificuldades financeiras vão à falência porque, sem autorização prévia do sindicato, não podem dar férias coletivas ou demitir em massa, buscando recuperar o fôlego.

O índice de desemprego, em 2006, era de 6%. Mas é um desemprego voluntário. A disposição dos holandeses em trabalhar tem suas exceções, que se aproveitam de um sistema de seguro social benevolente para tirar férias prolongadas.

Por dois anos, recebe-se do governo o equivalente a 70% do último salário percebido. A contrapartida é tentar, três vezes por mês, arrumar um emprego. Eles tentam, mas fazem de tudo para não serem contratados. E seguem no ócio.

Com isso, as vagas em aberto, geralmente atividades de baixa qualificação técnica, são preenchidas por poloneses e, mais recentemente, por turcos e marroquinos, o que vem gerando intensas discussões sobre critérios de imigração.

Está se formando no país uma massa de estrangeiros, sem perspectivas de crescimento, que têm ou vão constituir família. Os holandeses temem que surjam, brevemente, cinturões de pobreza nos arredores dos grandes centros industriais. Seriam as primeiras favelas holandesas.

E, onde há pobreza, há criminalidade, que na Holanda já é uma das mais altas da Europa, principalmente furtos.

Em Amsterdam, pode-se ver mendigos pedindo esmolas. São, em geral, estrangeiros que, por curiosidade ou intenção, viciaram-se nas drogas vendidas e consumidas livremente no país, mas em particular na Capital, onde convivem harmoniosamente mais de 150 nacionalidades.

Os mendigos da Holanda, contudo, não são moradores de rua. O governo mantém albergues, onde são oferecidas refeições, condições de higiene e roupas.

(Na foto, uma loja que vende sementes de maconha, minha visão da janela do Sofitel)