4 de fev de 2008

Andar a pé, na Holanda, só por exercício


O território holandês é extremamente plano. Natural que bicicletas fossem um bom meio de transporte. Num país com 16,3 milhões de habitantes, há oito milhões de bicicletas. Boa parte delas, proveniente da China. Nos canais de Amsterdam, é comum ver-se alguém atirando uma bicicleta dentro d’água, quando ficam velhas ou estragam. Difícil encontrar quem as conserte. Mais fácil é comprar uma nova.

O lançamento de bicicletas é um hábito curioso que alimenta três importantes indústrias holandesas. A de dragagem (para a limpeza dos canais), de transporte (para a destinação final) e a de transformação (onde as bicicletas são derretidas e transformadas em matéria-prima).

Também é comum ver-se no centro de Amsterdam edifícios-garagem exclusivos para bicicletas. Vários andares só de magrelas. E nas empresas, bicicletários imensos para os funcionários, além de, nas ruas, centenas delas acorrentadas a postes, nas calçadas.

Em todo o país, há ciclovias. Alguns milhares de quilômetros na beira de calçadas largas, que têm um leve rebaixo como limite. Em horários de pico, o fluxo de vai-e-vem é intenso. E a preferência é dos ciclistas, sempre. Pedestres desatentos podem ser facilmente atropelados, como quase fui, em Haia. Um passo a mais e eu já era! Eles andam muito rápido.

A quase totalidade dos automóveis que circulam na Holanda é importada, sendo 70% da Alemanha, a maior fronteira do país. Há muitos Volkswagen Fox, produzidos no Brasil. A indústria automotiva holandesa é incipiente. O único fabricante em larga escala, a NedCar, foi comprado pela Mitsubishi, que monta ali dois modelos do pequeno Colt.

A Holanda tem espaço e respeito apenas no segmento de supermáquinas, com o Carver (um triciclo futurista), o Donkervoort (um calhambeque moderníssimo, inspirado no Caterham inglês) e o Spyker (também uma equipe de competição). São veículos artesanais, com produção limitada a não mais que 50 unidades anuais, e preço na faixa de 500 mil a mais de 1 milhão de euros.

Na linha de veículos pesados, os holandeses têm a DAF Trucks NV, criada em 1928. A empresa foi adquirida nos anos 70 pela sueca Volvo, mas segue produzindo caminhões e ônibus com a marca DAF, com fábrica exclusivamente em solo holandês. A DAF criou os primeiros automóveis nacionais, nos anos 50.


Também há muitas opções de transporte coletivo. Dentro dos centros urbanos, há ônibus convencionais (movidos a biodiesel – num futuro breve, do Brasil), trolebus (elétricos), trams (os bondes, que o Brasil descartou na década de 70 por considerá-los ultrapassados), além de diversos tipos de taxi.

Em geral, automóveis Mercedes Benz, que contrastam com os rústicos Tuk Tuk, triciclos motorizados muito comuns na Índia, que se adaptaram bem à Holanda, por causa da planície territorial. Mesmo com baixa cilindrada, têm bom desempenho e autonomia, conduzindo até três passageiros por viagem, a custos menores, tanto para seu condutor quanto para quem os utiliza.

Há as waatertaxi, lanchas muito rápidas que se deslocam pelos canais e rios. Têm a aparência de taxi argentinos, com capota amarela e casco preto. Há os catamarãs, que ligam uma margem à outra ou pontos mais distantes, no curso dos canais, e também fazem passeios turísticos. E há pequenos triciclos movidos a pedal, para distâncias curtas.

Para o transporte intermunicipal e internacional, duas opções férreas: o Thalys e o TGV. Como as cidades são muito próximas, é comum morar no norte e trabalhar no sul do país. O Thalys desloca-se a 160 km/h e também cruza toda a Europa, assim como o TGV, que chega a 300 km/h. Mas o famoso trem-bala ainda não chega a Amsterdam.

Como o solo holandês é muito úmido, ainda não se obteve a sedimentação necessária para dar a segurança exigida. Apesar disto, as estações já estão prontas e os trilhos, assentados. Até ofinal de 2010, será possível ir de Amsterdam a Paris, em pouco mais de uma hora, cruzando a Bélgica inteirinha.